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Brasília

 

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Inner Immensity
A banda fala sobre projetos, dificuldades, sucesso e da perda do baixista Gilberto em trágico acidente.

por Rômulo Campos


Rock Brasília - Saudações. Como tem sido a repercussão da Demo “Out Side” gravada em meados de 2005 em relações a críticas?

David: Na verdade “Outside” foi feito no intuito de ser nosso real primeiro registro. “Outside” é um EP, apesar de não termos feito uma divulgação como o disco merecia, mas conseguimos colher bons frutos deste trabalho e boas experiências também. Infelizmente ou não, a aceitação do trabalho foi muito maior fora de Brasília, foi graças ao “Outside” que conseguimos tocar como uma das atrações principais do FORCAOS 2006 em Fortaleza. O disco chegou a ser veiculado também em rádios de São Paulo e pode ser conferido nas nossas páginas do My Space e do Palco MP3 onde a galera coloca posts com boas críticas a nosso favor. Temos também um clipe da terceira faixa – “Sea of Blood” no You Tube onde existem comentários elogiosos. Aqui tocamos no Ferrock 2006 também. Para um disco com poucas pretensões provavelmente “Outside” nos tenha rendido, senão repercussão e chances em quantidade, mas sim em qualidade, falo isso devido ao grande nível dos eventos os quais ele nos ajudou participar.

Rock Brasília - A primeira audição que tive de Outside, foi em uma excursão onde o vocalista David Oliveira chegou ali na calada com o cd, e pediu para colocar no play. De início apenas David disse que era uma banda da cidade, só depois revelando que era o vocalista da banda. E ao escutar as faixas do cd, são latentes as influências de Queensryche, Iron Maiden e aquele velho time da escola dos anos 80´s. Todos na banda nadam na praia do velho Heavy Metal?

David: Olha, eu acredito que sim cara. Todos nós na banda bebemos na fonte do Heavy Metal, se você conferir um release nosso verá que todos nós temos, na maioria das vezes, músicos e bandas de heavy metal como principais influências, mas também é notada na minha pessoa e na do André (Rocha, guitarrista) grandes influências de Hard Rock e AOR, ou seja, coisas como Van Halen, Zeppelin, Journey, etc... coisas desse tipo.
Michel: Realmente o David e o André, possuem uma influência muito forte de Hard Rock. Já eu e o Mauro, gostamos de muita coisa das antigas como: Angel Witch, White Spirit, Sweet Savage, Diamond Head, Tygers of Pan Tang, Metal Church e por aí vai. Sou um grande fã da NWOBHM e sempre quando estou criando algo, é difícil não puxar para esse lado! O Gilvan, por sua vez, já é o cara que ouve coisas mais modernas e sempre está ligado para o que está acontecendo na cena. Então, tudo isso é o som do Inner, cada um com suas influências particulares procurando empregá-las da melhor forma no som da banda!

Rock Brasília - O line-up da gravação já não é o mesmo. Infelizmente vocês perderam o antigo baixista Gilberto Lima em um acidente automobilístico. Como foi a superação de sua perda, e qual foi sua marca deixada na banda?

David: Superar a perda de um cara como foi a do Gilberto nunca é uma situação fácil. Ele era um grande irmão para nós e um grandíssimo baixista! Foi barra, muito difícil, mas conseguimos isso graças à sua própria família que nos apoiou em um momento onde nem nós mesmos na banda queríamos mais continuar, e nessa hora os próprios pais e irmãos do Gilberto pediram para que continuássemos, pois ele, de onde está, iria ficar muito triste se parássemos. Daí aceitamos o pedido deles e resolvemos continuar, mas foi muito difícil achar um cara parecido com ele, graças a Deus achamos o Michel que se enquadrou totalmente no perfil da banda.
Michel: Na época, até eu que estava entrando na banda, fiquei um pouco receoso com a situação. Queria ajudar, mas notava que os caras ainda sentiam muito a perda do Gilberto. Entrar numa banda naquelas condições não era uma parada fácil. Não era só tocar o baixo e pronto, era também fazer o papel do amigo e incentivador. E tento fazer esse papel até hoje! Foi difícil, mas, ainda bem que fomos fortes o bastante para ajudarmos uns aos outros e reconstruir a banda. Foi naquele momento que nos tornamos um grupo muito forte com o objetivo de continuar com um sonho que também era vontade dele. Tanto que não mudei uma nota das linhas de baixo que ele fez. O trabalho dele está preservado. Ele era genial, e pra mim, é uma honra continuar escrevendo o restante dessa estória!

Rock Brasília - Para não deixar o time desfalcado, o baixista Michel Brasil (Ex - Dark Avenger e atual Mental Asylum), assumiu o posto. Com a entrada do Michel, o que a Inner Immensity tem ganhado de inovação ou tudo continua como era antes?

David: Não, com certeza a banda mudou bastante a sua sonoridade e o Michel tem uma enorme parcela de responsabilidade sobre este aspecto. A outra parcela da responsabilidade sobre isto é o fato de nós quatro (os membros fundadores) termos crescido muito como compositores, nos tornamos mais experientes. Mas a entrada do Michel na banda realmente tornou nossa música muito melhor, muito diferente, aja vista as músicas do nosso vindouro novo trabalho que esperamos concluir este ano ainda.
Michel: Velho, na verdade o segredo é que eu sou o baixista mais sortudo de Brasília! rsrs. Pois, toco ao lado de duas grandes duplas de guitarristas, Mauro e André no Inner Immensity, e Júlio e Sandro no Mental Asylum. Assim, fica fácil o trabalho de qualquer um! Já estamos em fase final de composição. No disco estará presente toda a evolução da banda desde o Outside. Vocês já podem ouvir a prévia do que estou falando no Myspace da banda, onde colocamos a disposição duas músicas novas.

Rock Brasília - Ultimamente a cidade tem ganhado algumas casas para shows onde as bandas da cena local tem tocado. Isso até muda um pouco o discurso que eu tinha antes, de que faltavam espaços para as bandas tocarem. Temos Blues Pub, Black-Out, Uk Brasil Pub. Como a Inner Immensity tem enfrentando esse problema de shows? Já que temos alguns espaços.

David: O problema de shows aqui na cidade é muito grande cara, as pessoas só se interessam mesmo por bandas cover, e definitivamente esse não é nossa praia. Não estamos aqui para virar cover de ninguém. Bandas com músicas próprias não têm vez em Brasília, a não ser que você esteja no Khallice ou em alguma das bandas do Mario Linhares. Veja bem, quando digo isso e cito essas bandas não quer dizer que eu tenha algo contra elas, porque não tenho, mas é a pura verdade. Realmente os espaços estão surgindo em Brasília, mas só para bandas covers cara, bandas autorais continuam sem espaço. Nós, por exemplo, tínhamos um show marcado para o próximo dia 27 no UK Brasil, mas o show foi cancelado hoje (13/05/2008) porque o evento anterior não tinha dado público e daí o dono da casa cancelou os posteriores.(ndr: entrevista realizada no mês Junho/08) Se fossem bandas que fizessem covers de outras com certeza teria dado gente, mas como eram bandas autorais como nós o lugar ficou vazio. Infelizmente é isso, está tendo espaço, sim, mas não para nós, não para bandas como nós. O público e os produtores de Brasília não valorizam seus artistas, quando tocamos no FORCAOS as pessoas pularam, aplaudiram e gritaram no nosso show as nossas músicas, aqui não é assim que acontece, a nossa cultura é assim mesmo, feia. Por isso é que continuaremos dando preferência a eventos fora do DF já que lá temos reconhecimento de crítica e público, infelizmente na nossa própria cidade isso não acontece.

Rock Brasília - Em relação ao lançamento de cd´s. O que a Inner Immensity tem preparado? Ou a banda também vai aderir ao mais revolucionário sítio My Space, lançar materiais através do mesmo. É, essa transgressão que a música está sofrendo vai acabar tirando aquela tradição de ir a uma loja para ver os lançamentos, foliar o encarte e tudo mais. Qual o pensamento que vocês tem sobre o assunto?

David: De repente faremos as duas formas, embora eu particularmente seja do tempo que o fã ia à loja e comprava o CD entendeu? Mas temos que nos adaptar não é? Afinal de contas a Internet é uma ferramenta de divulgação poderosíssima e precisamos usá-la. Quanto a lançamentos nós neste momento estamos cuidando do nosso novo disco, já temos uma pré - nome definido e o disco terá de 10 a 12 faixas, isso é algo que iremos resolver na hora da prensagem ainda. O anjo da capa do “Outside” estará na capa deste também só que de uma forma diferente, com mais detalhes, é como se estivéssemos contando a história dele, a arte está ficando muito interessante e vai chamar bastante a atenção. Pretendemos terminar o novo trabalho este ano para soltá-lo na praça. Também estamos cotados para participar de outra coletânea de um selo muito forte.

Rock Brasília - A Inner Immensity, tem soltado na rede duas musicas novas, "Caravan of Souls" e "Understorms", no qual saiu também na coletânea "METAL ATTACK" de São Paulo. Como pintou esse projeto da banda entrar nessa compilação?

Michel: Recebemos o convite desta coletânea por email, observamos as condições, e sentimos que a proposta do Fernando Caraça (responsável pelo selo Chave do Som) era boa, então, topamos em participar! Só que desta vez queríamos mostrar algo novo, então, falamos para eles que precisávamos de um tempo para gravar duas músicas novas, isso foi no início de Dezembro, então, em menos de 20 dias estávamos com as músicas gravadas e masterizadas. Foi um trabalho excelente, graças as comprometimento da banda e também pelo profissionalismo do produtor Nathan Brasil (guitarrista do Rhevange). Ele é um cara que acompanha o nosso trabalho desde o início, e que é melhor, o cara também ouve heavy metal, então, ele sabia exatamente o que queríamos. Nesse caso, o resultado não podia deixar de ser positivo. A receptividade está muita boa e o selo fez um trabalho muito bom de divulgação! Já recebemos e-mails de diversos pontos do país, elogiando o som e a evolução da banda. Ficamos satisfeitos com o resultado final.
David: A oportunidade realmente foi muito boa, e Nathan Brasil é um cara formidável, um grande amigo. Conheço a família Brasil a mais de dez anos e sei bem como esses caras são profissionais e talentosos. O trabalho da coletânea está sendo muito bem difundido Brasil a fora e iremos colher bons frutos no futuro.

Rock Brasília - David, duas grandes bandas do heavy/rock voltaram com força total em meados de 2005, onde você pode conferir a passagem delas durante sua turnê aqui no Brasil. Estou falando do Judas Priest (quando o Rob Halford tinha retornado à banda) e o Whitesnake voltando aos palcos. Quais suas lembranças daquele show?

David: Cara aquele show foi fantástico, especialmente quando eu lembro do Whitesnake. Ver o Coverdale em plena forma cantando clássicos como “Burn”, “Stormbringer”, “Give All Your Love”, etc. foi para mim uma emoção e uma alegria muito grandes!! Foi até então o melhor show da minha vida acredite!! Vi o Maiden agora em fevereiro último e essa opinião obviamente mudou, rsrs... Mas foi sensacional!!! Rob também estava muito bem, não tão bem como em outros momentos, mas a volta de caras como estes dois e suas respectivas bandas para a cena é um resgate importantíssimo! São figuras lendárias, precisamos disso, lava a alma, entende? Agradeço a oportunidade que tive de testemunhar ao vivo aquele momento único.

Rock Brasília - Gostaria de agradecer à rapaziada da Inner Immensity. Espaço aberto para considerações finais.

David: Gostaríamos muito de agradecer o espaço proporcionado e de dizer aos fãs de metal que o Inner Immensity estará logo, logo com um novo álbum que certamente irá agregar muito valor à cena local e chamar a atenção de todos. No mais é isso, sorte a todos, paz e muito heavy metal!! E galera de Brasília, por favor, abram os olhos, aqui tem muita banda boa! Um abração no coração.
Michel: Mais uma vez agradeço o grande brother Rômulo, que é um cara comprometido com cena underground e também sempre apoiando as novas bandas. É uma grande satisfação participar de mais uma entrevista, valeu mesmo!!! Quanto à galera, o recado é quase o mesmo do David, vamos apoiar as bandas de trabalho autoral. Tocar cover é muito legal e divertido, mas, quando criamos algo novo, é muito melhor! Pensem nisso!!!




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