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André Fantom
Vocalista e professor de canto, conta como é viver de música em Brasília.
por Rock Brasília 
O brasiliense André Fantom, vocalista da banda Zero 10, tem 34 anos, é casado e pai de duas filhas. Proprietário da GTR da 708/709 Norte há três anos, foi líder do Bootnafat, que ganhou um concurso nacional promovido pela Skol e teve a oportunidade de abrir os shows do U2, na primeira vinda dos irlandeses ao Brasil, em 1998.
Rock Brasília – Além de músico você tem outra formação?
André Fantom – Sou publicitário, mas exerci muito pouco. A música não deixou, graças a Deus!
Rock Brasília – Canta, toca baixo, violão e bateria... Como começou?
André Fantom – Em 1989, eu tive uma banda com o Kim, que durante muitos anos foi do Maskavo. Fiz o meu primeiro show com ele no EMAS, o Encontro de Música do Sigma, eu estudava lá na época. Aí comecei tocando baixo e cantando. Depois disso fundei o Khallice com o Marcelo Barbosa (guitarrista). Deixei o grupo e entrei no Bootnafat em 1995 e fiquei até 2002. Em 1999, eu e o Marcelo começamos a montar a Zero 10.
Rock Brasília – Você foi considerado o melhor vocalista no Skol Rock de 1997. Conta um pouco como foi...
André Fantom – Participamos de dois Skol Rock. No primeiro, em 1996, não ganhamos nada. Mas no segundo, no ano seguinte, ganhamos quase tudo: melhor guitarrista, vocalista, baixista e melhor música. Só não fomos melhor baterista. Eram 2.500 bandas e oito se classificaram para cada etapa regional. As ganhadoras de cada etapa foram para São Paulo concorrer na final. Fomos campeões e tivemos a maior sorte, porque a Skol foi a patrocinadora do show do U2 no Brasil em 1998. Daí colocaram a gente pra abrir os três shows deles ao lado do Gabriel, o Pensador. Foi muito bom!
Rock Brasília – Há quanto tempo você se dedica ao canto?
André Fantom – Estudei por sete anos com a Cláudia Costa, que é professora da Escola de Música e tem mestrado e doutorado pela UnB. Ela, inclusive, cita o Bootnafat na tese de mestrado dela na área de educação musical. Depois, comecei a dar aula por sugestão dela e não parei mais. Comecei na BSB Musical, onde fiquei durante cinco anos. Sai de lá e montei a GTR da Asa Norte. É um pouco complicado conciliar tudo. Sou professor, proprietário da escola e tenho a Zero 10. É cansativo.
Rock Brasília – Quantos alunos vocês têm na GTR da Asa Norte?
André Fantom – Eu tenho 28 alunos de canto e a escola tem 102 no total. Ainda está com um terço da capacidade, mas a escola é nova, tem só três anos.
Rock Brasília – Quais os cursos que a GTR da Asa Norte oferece?
André Fantom – Canto, baixo, guitarra e violão.
Rock Brasília – Por que o Bootnafat acabou?
André Fantom – Acho que deu o que tinha que dar, fomos até onde podíamos ir. Eu comecei a tocar muito com a Zero 10. E a questão do trabalho próprio requer muito e não dá dinheiro. Quer dizer, quando dá, dá muito, mas é muito difícil. Rock and roll no Brasil é muito complicado. Se eu gostasse de pagode ou axé seria mais fácil. O que dá dinheiro em Brasília com rock é tocar cover. A gente começou a fazer isso, cada um tomou seu rumo e a banda enfraqueceu. Decidimos parar de tocar em 2002.
Rock Brasília – E o trabalho autoral da Zero 10?
André Fantom – Temos um CD lançado que, inclusive, esgotamos as cópias. Mas é difícil conseguir apoio da mídia pra divulgar um trabalho autoral. As pessoas querem ouvir as músicas que já conhecem. A gente acabou desistindo disso. Ainda é possível encontrar algumas cópias no site Submarino ou no UK Brasil Pub, mas são poucas. Estabilizamos a banda como cover, estamos tocando duas vezes por semana.
Rock Brasília – Vocês têm contrato com as casas noturnas?
André Fantom – Não existe contrato nenhum, é tudo de boca, por incrível que pareça. Tem a Ordem dos Músicos, que não vai fiscalizar nada. Não é o ideal, mas funciona, graças a Deus. Trabalhamos com pessoas honestas que nunca deixaram a gente na mão.
Rock Brasília – Você está com algum projeto autoral atualmente?
André Fantom – Tive uma reunião com o André Amarelo e pretendemos compor algumas músicas. Eu tenho várias que posso usar. Se o projeto crescer, talvez precisemos de uma banda. A estréia está pré-marcada para o dia 27 de maio no Beco da Rua 8 (408 Norte). Vamos ver se vai rolar mesmo.
Rock Brasília – E os projetos da GTR?
André Fantom – Queremos crescer bastante. Panfletamos muito para os alunos de escolas da região onde a GTR fica. Tem muita gente que não sabe que tem uma filial na Asa Norte. Temos o projeto GTR In Concert e, na Asa Norte, o Sarau GTR, onde fazemos os alunos que estão tocando melhor se apresentar para o público. Estamos muito preocupados em abrir espaços para os novos talentos.
Rock Brasília – Como você vê o cenário musical de Brasília hoje?
André Fantom – É incrível que hoje não há quase nenhuma loja de disco em Brasília. Mesmo tendo vários festivais de rock é difícil financiar esse trabalho. Está havendo uma recessão no mercado fonográfico. Qual a banda que faz sucesso hoje? NX Zero, por exemplo, conseguiu chegar na TV Globo, não sei como. Daí as pessoas vêem os caras lá, eles enchem os shows e vendem 10 mil CDs. Ou então as bandas de axé e sertanejas. O público dessas bandas são os maiores compradores de CDs piratas. Mas os shows deles dão 50 mil pessoas. Músico, hoje, ganha dinheiro com show e não com CD. A não ser que o cara venda um milhão de cópias, o que não acontece mais. A tendência é que a mídia seja um cartão de visita. Não há mais como frear a internet. Eu mesmo não compro muito CD, baixo tudo. As lojas que ainda vendem CDs estão se especializando em vender instrumentos musicais, é como uma volta ao passado. Por outro lado isso fortalece outros segmentos: a indústria de instrumentos e as escolas que se enchem de pessoas querendo aprender e montar a própria banda. Não sei se vão existir ídolos como Madonna, Michael Jackson, Beatles etc. Acho que a coisa está partindo para uma coisa mais regional, onde as pessoas possam alcançar com os próprios meios. E quem mais “dançou” nessa história foram as bandas autorais. Não adianta bater na porta de uma gravadora com uma demo mal gravada, que os caras vão dizer que já tem um monte de coisa igual empacada.
Rock Brasília – Quais as suas influências musicais?
André Fantom – Whitesnake, Queen, Beatles, Elvis Presley. Também a música brasileira, pela riqueza de harmonia, principalmente MPB clássica e a bossa nova, como Tom Jobim, Chico Buarque, Gilberto Gil...
Rock Brasília – Quais os melhores cantores locais e brasileiros da atualidade?
André Fantom – Eu gosto do Alírio Neto, do Khallice, pra mim ele é perfeito. É o melhor cantor de heavy metal do mundo, com certeza. Gosto também da Ana Carolina, ela tem um vozeirão. Tudo bem que ela queria ter nascido homem, mas ficou bom do jeito que está! (risos)
Rock Brasília – E do exterior?
André Fantom – David Coverdale. O cara tá velho, mas canta do mesmo jeito.
Rock Brasília – Qual seu conselho para quem está começando?
André Fantom – Hoje como está tudo nas mãos da própria pessoa, eu aconselho que procurem estudar mais, melhorar sua formação, dominar o instrumento que toca. Apesar de ter muita música ruim, como essas coisas tipo “créu”. A carreira deles é passageira e daqui a pouco ninguém lembra mais. As coisas boas, de qualidade, ninguém esquece, permanecem. É o caso de Beatles, Pink Floyd, Led Zeppelin, Queen. São bandas amadas pelo público até hoje.
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