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CJ Ramone
Ex-baixista dos Ramones fala do passado e revela o que esperar do show que fará em Brasília.

por Penny Lane
29 de junho, 2009


Christopher Joseph Ward, mais conhecido como CJ Ramone, é um pai dedicado de dois filhos. Aos 43 anos (faz 44 em outubro), o ex-baixista - entre 1989 e 1996 - do glorioso e sempre cultuado quarteto nova-iorquino de punk rock Ramones, vive um momento tranqüilo e musicalmente inspirado. Para CJ, que lidera atualmente a banda Bad Chopper, falar sobre punk rock é viajar até a costa leste dos Estados Unidos, mais especificamente até a Califórnia, onde o estilo criou vida e abalou estruturas além dos oceanos.
Em entrevista exclusiva ao site Rock Brasília, CJ fala um pouco do passado e revela o que o público brasiliense poderá esperar do show no dia 10 de julho, no Arena Futebol Clube.


Como é ter sido um dos Ramones e passar a tocar em bandas pequenas?

Eu venho de bandas pequenas. Meu ego não é grande o suficiente para uma banda grande.

Muita gente diz que o punk rock está ultrapassado, que deveria ter ficado nos anos 70. O que o punk rock tem a dizer às pessoas nos dias de hoje?

O mundo está se transformando num sonho corporativista porque as pessoas comuns não têm voz. O punk rock foi uma das vozes mais altas depois que os políticos hippies dos anos 60 ficaram velhos e viraram aquilo que eles lutavam contra. Agora todos os astros pop estão sendo espertos vendendo produtos e tocando suas músicas despretensiosas com o suporte daqueles mesmos velhos hippies. Isso é o que acontece quando o punk vai embora.

Iggy and the Stooges é uma influência clara na música da Bad Chopper. Quais são as outras influências além, é claro, Ramones?

Eu escutei muito punk de raiz e os primeiros dois discos dos Rolling Stones enquanto compunha para o disco da Bad Chopper. Mas a maior influência foi minha vida pessoal, que na época estava uma bagunça.

Você participou dos discos Brain Drain, Loco Live, Mondo Bizarro, Acid Eaters e Adiós Amigos, dos Ramones. De qual deles você gosta mais?

Eu não participei da gravação de Brain Drain, mas participei da turnê. Gosto muito de Mondo Bizarro. Loco Live (ao vivo em Barcelona) é horrível! Os outros são bons.

A versão de Spiderman se tornou um clássico dos Ramones. Como surgiu a idéia de gravar essa música¿ Foi espontâneo ou demanda de trabalho?

Escolhi Spiderman porque sou um grande fã dos quadrinhos. E dos desenhos animados quando era criança. Poderíamos escolher qualquer personagem de desenho, mas Johnny (guitarrista) me deixou escolher. Quando toquei pela primeira vez, ele adorou.

Quem são seus ídolos? Que música você ouve em casa?

Robert DeNiro, Keith Richards, Geronimo (líder indígena da América do Norte), Che Guevara, General Norman Schwarzkopf (general que liderou as tropas aliadas na Guerra do Golfo), Timothy Leary, Martin Luther King e meu pai. Em casa, escuto reggae, Ramones, Clash, Rolling Stones, Black Sabbath, Ben Harper e outras coisas nesses estilos.

Você esteve no Brasil em 1992, durante aquele show do Ramones onde os skinheads invadiram o Circo Voador (Rio de Janeiro) e a polícia inundou o lugar com gás lacrimogêneo. Que lembranças você tem desse show?

Aquilo foi uma loucura. Foi a primeira vez que interrompemos um show. Mas a lembrança que tenho é de uma mulher negra alta, de sorriso doce, com quem conversei no final.

O que os brasilienses podem esperar do show no dia 10 de julho?

Podem esperar muita energia e muito rock and roll. Com o Daniel Rey na guitarra e Brant Bjork na bateria não se pode esperar nada menos que isso. E, claro, muitos clássicos dos Ramones.

Agora aquela pergunta básica: o que a platéia brasileira tem que as outras não têm?

Eu sempre disse que o público do Brasil e da América do Sul é o melhor do mundo. E eu não falo isso pra todo mundo.





Colaboraram Kirisoré e Paulo Mesquita




11 comentário(s) para esta entrevista
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