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Gilmar Batista dos Santos
Vocalista da banda de hardcore ARD fala dos 25 anos de luta pelo rock brasiliense.

por Fellipe CDC
17 de junho, 2009


Gilmar Batista dos Santos é um guerreiro! Não há outra palavra para defini-lo, afinal, são 25 anos tocando Hardcore, 25 anos sem se render às modas ou invencionices, 25 anos gritando por um mundo mais justo e humano, 25 anos de sangue Punk correndo nas veias de um eterno adolescente: rebelde (com causa) e contestador. Com vocês, Gilmar.

Gilmar, tudo bem? Meu, há tanto tempo a frente da ARD, o que consideraria o auge da banda? Ou isso, o auge, ainda está por vir?

Tudo bem meu camarada. 24 anos e 6 meses. No dia que rolar uma tour no velho mundo, posso morrer feliz, mas tivemos tantos momentos legais, que esse não será o nosso auge, acho que nesse estilo nunca virá. Um bom momento foi quando chorei sozinho, ouvindo o tributo em meu quarto. Isso não tem preço. Assim como quando fui o objeto de estudo da pré-estréia da tese de Doutoramento de Jesse Wheeler, quando debatemos sobre o cosmopolitismo presente na letra de Fuck the USA da banda The Exploited, explorada depois por ARD e X-Granito.

3 músicas da ARD que melhor definiriam o estilo musical escolhido pela banda.
Morrer Punk, Tsunami e Eixão da Morte (versão atual)

Muitos músicos que passaram pela ARD tinham (e tem) uma forte influência Heavy-Metal. Como isso é adaptado dentro de estilo da After Radioactive Destruction? Há alguma censura do tipo: “Não, isso é Metal demais!”?

Como acabo tendo que assumir um posto de alta patente (foda-se o militarismo) na banda, sinto que um olhar meu, pode mudar o rumo da criação musical, mas apesar disso ser algo bem forte, ARD sempre teve liberdade para usar da criatividade. Pergunte a qualquer um que já tocou conosco que a resposta será bem clara. A responsabilidade é a nossa marca maior, o resto é negociável.

Conte um pouco sobre a atual formação: o que cada integrante trouxe de novo, como as influências individuais são condensadas e como é a divisão de tarefas dentro da banda?

Gostaria de te agradecer publicamente (nunca tive a oportunidade de fazer isso)pela eterna força que tem dado à banda e esse momento se cristalizou quando me apresentou o cara que mais cresceu dentro da cena underground daqui: Mr. Multibandas Juliano - Jesus- Bimbim Laden. O cara é um baterista de primeira e mesmo com todas as dificuldades vividas, ele tem honrado o compromisso com as tantas bandas que assumiu tocar. Rafael é um grata surpresa pela camaradagem, mesmo vindo da cena metal, nunca tentou impor seu estilo (ou então é tão sutil que não dá para notar)... Ele é o cara mais punk da cena metal do DF, ou vice-versa. Vander tem toda uma formação punk rock e é meu irmão de verdade (mesmo pai e mesma mãe). Mas o legal nele são as dicas sobre como encenar musicas no palco. Ricardo é atualmente nosso step-bassplayer... ja tocou guitarra na banda em anos anteriores e tem substituido o Vander enquanto puder e enquanto conseguirmos sobreviver ao lado dele, pois é o cara mais alucinante e bonachão do planeta, tudo pra ele é sacanagem. Sobre o que cada um faz na banda na hora de dividir tarefas é meio que no "instinto", ou para cada ocasião um resolve o que puder. Eu e Juliano somos os tarados por shows. Vander gosta de fazer planilhas enormes sobre os planos infalíveis que nunca realizamos, Rafael marca ensaios mas também mantem altíssima a nossa taxa de humor nas trocas de emails ou nos ensaios, que mais parecem uma sessão de piadas em boteco pé sujo! Eu escreve letras, respondo emails, faço melodias, brigo, xingo e cuspo nos shows...

A bandeira do movimento punk dos anos 80 ainda é a mesma dos dias atuais?

Fiz uma música sobre esse assunto. Mas posso dizer que é uma merda carregar bandeiras. Todos te acertam primeiro, na cara, vc tem a bandeira para segurar e não tem como se defender. Atualmente sou fã do discurso de Oi-nellie do projeto de banda X-Granito na musica Queimando Bandeiras!!!! Ouça e confira!

Certa vez fiz uma entrevista com a sua mãe e ela me disse que a única coisa que a incomodava era o fato de você, durante a sua adolescência (ndr.: há muitos anos!), andar com roupas rasgadas e com aspecto de sujo. Hoje, no alto de sua vastíssima experiência (ndr.: bota vasta nisso!), ainda acha que o fator visual ainda ajuda a chocar e acordar a sociedade”?

Minha filha de 12 anos, fica verde de rir quando vê essa onda fake de visual de butique. Claro que isso não choca mais. Nada mais choca. Pessoas trocam email de desastres, fotografias de pedaços de pessoas, filmes de assassinatos, mortes ao vivo... Isso se tornou lugar comum, por isso escrevi a Síndrome Emputecimento Progressivo, que relata o fato de estarmos com o pavio curto o tempo todo. Semana passada, tomei um soco de uma velhinha por tentar impedí-la de bater com uma bolsa no motorista de um busão que a fez cair sem querer. Todos ficaram rindo de minha cara e eu também.

Você toca baixo em outra banda, a X-Granito. Conte um pouco sobre ela.

Cara X-GRANITO ou X-MEN como carinhosamente chamamos, é um lindo projeto, a banda dos meus sonhos. Dois norte-americanos e dois sul-americanos. A banda surgiu como uma proposta de Jesse Wheeler de sentir na pele como se comportava a cena underground aqui no DF, como um elemento de pesquisa para sua tese de Doutorado sobre a influência da arquitetura na vida das pessoas envolvidas com o rock feito no DF. tem o som perfeito para meus ouvidos e para tocar no baixo. Mas a distância dos integrantes foi a pior coisa e acabou nos deixando tristes e sem gás para manter o trabalho. Temos material nova, gravado no Original 69, em fase de mixagem. Atualmente Gaje (bateria) e Alexmarx (guitarra) estão morando em Curitiba, Oi-Nellie ( mora em Chicago-USA) e eu no Gama.

Além de vocalista, você já tocou guitarra e baixo na ARD. Já pensou, alguma vez, em fazer como o Fofão (Besthöven) e montar uma ‘one man hardcore band’?

Cara, admiro o Fofão pela coragem, mas confesso se tivesse na condição de reconhecimento mundial com a banda que ele toca desde sempre, já teria me mudado pra longe há anos. Mas sobre esse prazer solitário, prefiro muito mais aquele, onde cinco esmagam um e fazem-no vomitar a verdade...rsrsr. Gosto da presença dos caras no estúdio, tenho dezenas de letras e só não as gravo porque prefiro compartilhar a criação. Mas como disse, Fofão é um guerreiro e Besthoven é incrivelmente igual e empolgante ao mesmo tempo. D-beat forever!

Você foi convidado para tocar guitarra na banda Os Maltrapilhos. Por qual razão não aceitou, uma vez que, como muitos, também adora o Punk-Rock daqueles velhos Punks?

Se eu fosse voce mudava essa pergunta. Mas como acredito na liberdade de expressão vou responder. No dia da 3ª edição do Rock Sem Fronteiras, o baixista me perguntou se eu não tinha a manha de dar aquela força na guitarra, perguntei sobre o Frango, pois ele havia acabado de tocar. A reposta foi que ele era enrrolado e que podia não dar certo. Me disse honrado com o convite e sugeri que se não desse certo com o Frango que eles chamassem que eu estaria disposto a ajudar. Dias depois, perguntei pro Clebão sobre isso e ele disse que não sabia que alguém da banda teria me convidado. Fiquei meio sem graça, mas disse que minha intenção era ajudar. Ele prometeu consultar a banda e a resposta foi que algume ja havia se candidatado e que se não desse certo aceitariam minha boa vontade. Essa é a minha versão. E pra falar a verdade, achei que o novo cara ja se adaptou bem, gostei do show delas na torre no mesmo dia que o ARD tocou no projeto Rolla Pedra. Realmente eu adoro Punk-Rock!

O que pode nos adiantar sobre os futuros lançamentos da ARD?

Meu, temos 7 musicas novas prontas, só esperando o Demente da Rebel Records de Sampa para lancarmos o split Vida Punk, como a parceira da Alea Distro e ARD e com a participação da banda dele Phobia. Fomos convidados para participar da trilha sonora da segunda edição do filme Bomb it, agora só com grafiteiros de São Paulo. E tenho umas 12 musicas prontinhas para serem ensaiadas e gravadas.. Acho que os guris do Civil Olydnad, tão finalizando uma coletânia la na Suécia e terá uma musica nossa.

Até o momento, como tem sido a repercussão do CD “Síndrome do Emputecimento Progressivo”? Como avalia o trabalho de divulgação do selo Alea Distro, responsável pelo lançamento.

Estarei mentido se eu te disser que sei detalhes. Não tenho como avaliar. Fiocu tudo muito na camaradagem. Sei que o Hery é um cara pra lá de esforçado e só posso agradeçer por ter tido a coragem de pegar uma banda velha que nem é famosa nem nada, e botar uma grana suada para tentar a sorte. Mas o bicho é tão gente boa que vai entrar na parceria com a Rebel para lançarmos o split Vida Punk.

Antes das cortinas se fecharem, por favor, deixe suas palavras derradeiras.

Agradeço pela oportunidade de responder a perguntas novas... Isso é realmente um raro prazer. Tomara que todos entendam minhas respostas, sobretudo nas questões polêmicas. Abração !





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