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Carlos Maltz
Há dez anos em Brasília, astrólogo e ex-baterista do Engenheiros do Hawaii fala sobre rock, astrologia e projetos.

por Penny Lane
21 de maio, 2009


Carlos Maltz nasceu em Porto Alegre em 1962, bem no meio da tal “crise dos mísseis de Cuba”. De família judia e Torcedor do Internacional, se aproximou da música em 1976 através da torcida organizada “Camisa 12”, onde tocava supapo, uma espécie de surdo tocado com a mão.
Há dez anos morando em Brasília, Carlos Maltz prefere falar sobre astrologia e espiritualidade. Diz que o rock de hoje é forma pura e conteúdo zero, e critica severamente o que chama “crítica intelectualóide paulista”.
Bem casado e pai de três filhas, duas nascidas em Brasília, é formado em Psicologia com pós-graduação em Psicologia Junguiana. Hoje Carlos se dedica à Astrologia Integral e participa semanalmente do quadro Ventos do Destino na Rádio Cultura.
Prestes a lançar o livro intitulado SEXODEUSeROCKnROLL, o ex-baterista dos Engenheiros do Hawaii fala sobre sua vinda a Brasília, a saída da banda e astrologia.



Como a música entrou na sua vida? É verdade que tudo começou na torcida no Inter?

Sim. Em 1975, o Inter de Porto Alegre ganhou o primeiro campeonato Brasileiro para o Rio Grande do Sul. Eu era “colorado” doente.

Em 1976 entrei para a “camisa 12”. Vivia grudado na “charanga”, doido pra bater tambor. Um dia, sobrou um “Supapo”, que é um surdo de resposta que se toca com a mão. é um trem muito grande e ninguém queria encarar. Encarei. Passei a ser o único branco na “charanga” do Inter.

A sua entrada para o Engenheiros do Hawaii se deu na época da faculdade. Conte um pouco da formação da banda.

Passei em Engenharia, chutando todas as questões da prova de Matemática e Física. Minha passagem pela Engenharia foi rápida (rapidíssima). Na segunda aula de “geometria analítica”, lá estava eu, boiando e olhando pela janela. Do outro lado da rua, a faculdade de Arquitetura cheia de gatinhas com aquelas réguas “T” imensas... Tchau Engenharia. No dia 11 de janeiro de 1985, em comemoração ao término do ano letivo, o pessoal do diretório acadêmico da faculdade de Arquitetura promoveu uma festa, cuja atração principal era uma banda formada unicamente por alunos da faculdade.

Desde o vestibular, em 80, quando ganhei minha primeira bateria, vinha tocando em grupos amadores, gostava muito da “coisa” mas nunca cheguei a pensar em encarar profissionalmente.

Quando o pessoal da faculdade veio com o convite para a festa do dia 11, achei divertido. Já tinha tocado algumas vezes com o Carlos Stein (que veio a ser o guitarrista da banda “Nenhum de Nós”). E, uma vez, com o Humberto Gessinger que na época tinha uma guitarra semi-acústica, e fazia umas letras bem “esquisitas”.

Eu, Stein, Gessinger e um cara da faculdade que tocava baixo, o Marcelo Pitz fizemos então a primeira formação dos “Engenheiros do Hawaii”. Quem inventou o nome foi o Gessinger. Era uma “tiração de sarro” em cima dos caras da Engenharia que viviam no bar da arquitetura atrás das “nossas meninas”. Tinha a ver com “surfista calhorda”, aqueles caras que não surfam nada e ficam passeando com a prancha em cima do carro para impressionar a galera. O show foi um sucesso e acabamos sendo convidados para tocar em uma casa noturna chamada “433”. Passamos o verão ensaiando, e em março, já como um trio (Humberto Gessinger na guitarra e voz, Marcelo Pitz no baixo e vocais e eu na bateria), começamos uma temporada de shows que acelerou o caminho para a profissionalização. Rapidamente estávamos gravando umas fitas-demo com os primeiros sucessos do grupo: “Spravo”, “Segurança” e “Sopa de Letrinhas”.
Ao contrário do que acontece hoje, algumas rádios da época, especialmente a “Rádio Ipanema FM”, tinham um espaço aberto para a produção local, e nossas fitas começaram a tocar diariamente.

Aproveitando o sucesso, começamos a viajar pelo interior do Rio Grande do Sul, ganhando algum dinheiro e muita experiência.
Ainda em 85, um curso pré-vestibular de Porto Alegre organizou um festival reunindo as 10 maiores bandas da cidade no “Gigantinho”. éramos uns novatos, ilustres desconhecidos, mas as músicas estavam “pipocando” na rádio “Ipanema”. Ocupamos a 10ª vaga.

Um “olheiro” da Gravadora RCA assistiu o festival. Escolheu cinco bandas e fechou um contrato para a gravação de um “pau-de-sebo”: o “Rock Grande do Sul”.Lá estavam os ilustres desconhecidos. Os favoritos eram “Replicantes” e “Garotos da Rua”. Eles foram para o Rio, gravar no estúdio principal, e para nós sobrou um estúdio semi-abandonado em São Paulo. Era um lugar congelado no tempo, parecia que tínhamos voltado para os anos 60. Desde o produtor, até os instrumentos, passando pela decoração do estúdio, tudo cheirava à “Jovem Guarda”.

Gravamos “Sopa de Letrinhas” e “Segurança” e fomos a “zebra” da coletânea. Em poucos meses estávamos de volta a São Paulo (dessa vez, por nossa livre e decidida vontade), para gravar o nosso primeiro disco. Saímos de Porto Alegre com o conceito do disco elaborado. Era o tempo das bandas urbanas: “Legião”, “Plebe”, “Paralamas”, “RPM”, “Capital”. Queríamos chegar com uma cara mais romântica, por isso aquela paisagem bucólica e o nome “Longe Demais das Capitais”.

O disco tocou de “A a Z” e nós nos tornamos uma banda nacional. éramos, em pouco mais de um ano, um dos maiores fenômenos de sucesso de um artista da música do Rio Grande do Sul de todos os tempos.

Com uma produção semi-caseira, ainda ensaiando na casa dos meus pais em Porto Alegre, lotávamos ginásios no Brasil inteiro. “Congelamos” a faculdade. éramos músicos profissionais.

Como foi lidar com a crítica no começo da carreira. Vocês foram bombardeados por todos os lados né?

Por todos não. Mais pela crítica intelectualóide paulista. Leia-se Folha de São Paulo. Mas o povo sabe que aqueles caras são uns pedantes pretensiosos arrogantes e bossais. O povo sabe que se trata de uma elitezinha provinciana de quinta categoria que se acha grandes coisa por que despreza o próprio país e baba ovo de gringo. Cospem no prato que lhes dá de comer. Quanto mais os caras batiam, mais a banda vendia disco e lotava ginásios.

Como foi lidar com a fama nacional, já que o Engenheiros do Hawaii eram e são uma das bandas mais populares do país?

É, não é fácil. Lidar com o próprio ego inflado. É fácil você virar um cara pedante, pretensioso, arrogante e bossal.

A fama assusta?

A fama em sí, não. O que ela me revelou em mim, sim.

Você ganhou muito dinheiro?

Ganhei. E torrei tudo. Tive que recomeçar do zero.

Você saiu da banda em 1995. Como foi a saída?

Em 1992, no dia em que completei 30 anos, fui com minha mãe a uma livraria em Porto Alegre. Ela pediu para que eu escolhesse o meu presente de aniversário. Comprei um livro fininho: “Astrologia para Principiantes”, não me lembro o autor.
Nos três anos seguintes, comprei e “devorei” praticamente tudo que foi lançado sobre Astrologia no Brasil. Aquilo fazia mais sentido para mim do que qualquer coisa que tinha me acontecido até então.

Aqueles três anos em que eu ainda permaneci na banda, foram basicamente tempos de estudo. Hoteis, aeroportos, aviões, onde quer que eu estivesse, estava com um livro de Astrologia junto.

Mais ou menos na mesma época, conheci a obra do psiquiatra suíço C.G. Jung.
O “sopro” de Jung é inclemente, ou nos transformamos, ou nos transformamos. Não sou de pular fora. Comecei a questionar o nosso modelo neurótico-maníaco-depressivo. Os “Engenheiros do Hawaii” tornaram-se uma roupa apertada demais para mim. E eu, um estranho no ninho da banda.

Quando fomos aos Estados Unidos, em 1995, já sem o Augusto, já não éramos mais uma banda. Éramos um bando de gente, cada um atirando para um lado. A tour do “Simples de Coração”, disco que gravamos lá, não decolou. Estávamos, eu e o Humberto, separados, divididos. Uma época de minha vida havia chegado ao fim. Eu não cabia mais na roupa que eu havia ajudado a criar. Crescí. Tivemos uma briga feia. Ficamos alguns anos sem se falar.

O que te fez sair?

Na verdade , eu não saí. Quem saiu foi o Gessinger. Ele saiu para criar a banda dele, o "Gessinger Trio". Passado um ano, o empresário dos Engenheiros me procurou para comprar a minha parte nos "Engenheiros", que eu vendí fácil e bem baratinho. Que eu não tinha a intenção de continuar sem o Humberto. Pesei que se alguém tinha o direito de continuar sozinho, esse alguém era ele. E eu é que não ia ser um entrave para o destino. Não sou burro o bastante para isso.


Como é a tua relação com os integrantes dos Engenheiros hoje?

Com o Gessinger, posso dizer que é boa. Começamos a ser amigos e parceiros depois da briga e da re-união. O Licks, nunca mais ví. Ele é um cara recluso, não é muito a fim de socializações com a gente, coisas desse tipo. Tentei falar com ele algumas vezes mas o cara não se mostrou interessado. Fiquei na minha.


Do que sente saudade?

De nada. E sonho que estou de volta quase todas as noites.

Você vê algum diferencial no rock gaúcho de ontem e de hoje? É possível fazer uma comparação com o rock produzido em Brasília nos anos 80 e 90?

Não sou a pessoa mais adequada para falar sobre esse assunto. Não estou prestando mais atenção ao cenário. Acho meio chato...meio burro. Se eu tivesse 15 anos agora, acho que não ia querer ser roqueiro. Esses papo: emo, maconha, putaria... jamais seriam capazes de me inspirar o desejo de ser um cara como esses caras. esses caras jamais seriam meus heróis. Meus heróis não morreram de overdose, eram inteligentes demais para isso...


Como surgiu a Irmandade?

Numa enchente no Rio de Janeiro, lá por 1996.Estava voltando de uma gravação...com alguns caras da banda do meu "roadie" dos Engenheiros, o Nilson... O carro naufragou...Ficamos algumas horas ilhados num posto de gasolina, com um violão...seco...E começamos a rolar som...Eu tinha algumas músicas...

Este ano você completa dez anos de Brasília. Como foi a sua vinda pra cá? O que te trouxe?

Vim aqui para visitar um amigo em 1999. Era um dia de Maio, quando eu cheguei. Uma chácara, lá pros lados do Vale do Amanhecer. Cheguei de carro, á tarde , e nós ficamos conversando até a noite...de repente saí e fui olhar o céu...quando ví aquela imensidão pensei: o que eu ainda não estou fazendo aqui? E vim.

Todo mundo fala que Brasília é a capital do terceiro milênio e da nova civilização. O que Brasília tem de tão especial?

Exatamente isso aí que você acabou de dizer. Quem tiver olhos para ver, que veja.


A astrologia que você pratica é chamada Astrologia Integral e leva em conta as outras encarnações da pessoa, diferentemente da astrologia pregada pela maioria dos astrólogos mais conhecidos. O que tem de diferente e o que leva em conta essa astrologia que você pratica?

Vichy... o assunto é longo...O nome é Astrologia Integral, por que integra aspectos físicos, psicológicos e espirituais da pessoa. Astrologia Integral, Astrologia Kármica, Astrologia das vidas passadas, Astrologia da Reencarnação, ou Astrologia do Destino são maneiras diferentes de falar mais ou menos da mesma coisa. É um dos pilares fundamentais do meu trabalho. Como diz o mestre Martin Schulman: ”Uma nova Astrologia – Aquela que observa e entende o Homem através da janela de sua alma.”

Relutei muito antes de adotar os “Nodos Lunares” e especialmente o “Nodo Lunar Norte” como o ponto fundamental do mapa da maneira que faço hoje. Só a prática, o contato diário com os clientes e a confirmação que suas experiências pessoais iam me trazendo, foram capazes de vencer minhas próprias barreiras. Como bom Escorpião-Áries que sou, aquilo me parecia muito simples, fácil demais... “Então é só isso?? A pessoa se sintoniza com aquilo que veio fazer aqui na terra, sua vida começa a fazer sentido e TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN.... Tudo será claro, preciso, lógico...

Muita gente pensa que astrologia é adivinhação. Não é bem assim, né?

A Divina ação? Isso é pra quem pode maninha...infelizmente não é o meu caso. Não tenho bola de cristal, tenho apenas uma telinha de cristal líquido. E faço o que posso. Para auxiliar os navegantes perdidos a encontrarem um rumo. Em sí mesmos.

Você era ateu, nascido em uma família judia. Quais são suas crenças agora? O que fez um escorpiano mudar a perspectiva?

Sou Espírita. O que faz mudar? A dor. Não só um escorpiano, mas qualquer ser humano. A dor. Nosso maior mestre.

Voltando ao rock, você tem acompanhado as bandas da cidade, freqüenta os shows? Alguma banda te chama a atenção? Se a resposta for sim, como vê a cena de rock em Brasília hoje? E no Brasil?

Como a resposta foi não, pulo essa...hehehehe...cenário chato...deserto do Saara...do mesmo jeito que o mundo está... a culpa não é dos garotos...um mundo está acabando maninha...fazê-o-quê? O rock é um espelho... maninha...é um machado que veio para derrubar o sistema-coisa...só que o sistema-coisa já está podre e caindo...o machado está aposentado...vivendo das glórias do passado...um velho...aposentado...lembrando dos seus bons tempos...do tempo qm que sua lâmina era aguda e cortava...hehehehe....deviam ter aposentadoria e plano de saúde pro pessoal do rock...hehehehe...repartição pública e talz...hehe...o rock atualmente é inócuo...inodoro, incolor...sua capacidade virótica é nula...o hospedeiro está morrendo...hehehehe...veja o que o rock virou: FORMA PURA, conteúdo ZERO!!!! é só forma...veja essas bandas...os caras só falam de cabelo, ficam fazendo pose, imitando as bandas do passado...um museu, maninha...sorry... a culpa não é sua, e não é minha...

Ouvi boatos de que os Engenheiros podem vir tocar no Porão do Rock este ano. Se vierem, pode rolar uma palhinha com os ex-colegas?

Porão? Se for asilo de velhinhos...hehehehe....


Você participa de um programa de TV e de rádio. Fale um pouco sobre isso.

Ah, sim, sempre que posso, e que me chamam, eu falo sobre a Astrologia e os benefícios que ela pode trazer para as pessoas...O povo é muito mal informado, e preconceituoso ainda... Depois de tantos anos na banda, apendi a falar o que é preciso ser dito em trinta segundos...é isso...

2009 é um ano de muitos projetos pra você: um livro, um cd...

Pois é...”tamuzaí”, com um monte de coisas pra dizer, pra quem tiver saco de me ouvir...sobre o fim deste mundo-coisa, e o começo do novo... esse que o povo chama de "Era de Aquário"...mas não esperem de mim essa babaquice new-age...seres de Luz, essas coisas...o que eu consigo ver na frente, é um funil..."Hoje o céu está pesado, já chegou o temporal"... Os próximos dez anos não vão ser brincadeira não, maninha...segundo cálculos da OMS ( Organização Mundial de Saúde), em 2020, 35% da população da Terra estará sofrendo de Depressão, e outros 35% estarão dentro de alguma forma pesada de adição ( drogas, álcool, comida, pornografia, etc...) entendes? È sobre essas coisas que eu falo...e sobre a minha busca por alguma luz no fim do túnel...lá no site tem um tanto de coisas...

Agora vou abusar um pouco. O que a astrologia nos revela e quais os conselhos para o resto do ano de 2009?

Quem souber rezar, reze. Quem não souber, trate de aprender.



Se quiser conhecer melhor o trabalho de Carlos Maltz, entre no site http://www.carlosmaltz.com.br . Carlos também participa do programa semanal Revista 100,9, que vai ao ar todas as sextas-feiras de 17 às 19 horas na rádio Cultura FM.




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