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Fábio Marreco
Em entrevista exclusiva conta como começou o maior festival de heavy metal da cidade e o que esperar para a próxima edição
por FELLIPE CDC 
Rock Brasília Fábio, primeiramente, explique a origem desse apelido: Marreco. E outra, tem algum recado para os compositores daquela musiquinha infantil que fala de um certo pato pateta ter comido um tal de marreco...
Fábio Marreco Isso é que é forma de quebrar o gelo! Quanto à origem do apelido acho que é porque o marreco é uma ave incrível, arrojada, determinada e que. Pelo visto MPB não é o seu forte, né CDC? O pato surrou o marreco, bateu na galinha, quebrou o caneco e acabou indo pra panela de tanto que aprontou. Vinícius era um sábio, um bad boy desses que bate num cara legal, espanca uma mina que corteja a galera toda e ainda quebra um caneco de cerveja cheio merece se lascar.
RB Há quanto tempo seus cabelos sacodem ao som de um bom e velho Heavy Metal?
Fábio Marreco Digamos que já posso contar em décadas.
RB Quando fez a primeira edição do Marreco’s Fest já se considerava um produtor? E agora, sente-se como tal?
Fábio Marreco O primeiro Marreco’s foi um churrasco lá em casa. A produção era a de sempre: montei meus equipamentos, comprei carne, cerveja, gelo e carvão. Minhas únicas peripécias produtivas eram apenas as festas da Arquitetura que ajudava a organizar na minha época de UnB. Se bem que a minha maior contribuição nessas festas era de longe o consumo de cerveja.
RB Exatamente quando e por quê decidiu fazer o Marreco’s Fest?
Fábio Marreco Muitos não sabem, mas o Marreco’s começou por ser a minha festa de aniversário. Talvez se o público freqüentador soubesse eu voltaria com um caminhão de presentinhos.
RB O Marreco’s começou como uma produção menor, uma festa, uma grande reunião de amigos. Não que hoje não seja, entretanto, atualmente, tomou uma produção enorme? Você sonhava, trabalhava para que isso realmente acontecesse?
Fábio Marreco Acho que a festa evoluiu por que este é o caminho das coisas, temos que sempre nos aprimorar no que fazemos. Se eu sonhava com o crescimento da festa? Não, nunca pensei muito adiante, apenas quero que o evento se aprimore para que possamos trazer melhores atrações e para fortalecer a cena do Distrito Federal.
RB Uma curiosidade: hoje, você toca em quantas bandas? E por quais já passou?
Fábio Marreco Toco no Totem, Piece of Maiden, Jesus Saves (Slayer cover), Bruxa de Blair (SOAD), Black Horsemen (King/Merciful Fate cover), Redsoil e em mil outros projetos temporários como o Accept Cover, Venom Cover e Anthrax Cover. Não tenho saco de ficar ensaiando eternamente sem algum show em vista. Meu esquema é assim, marco o show, contato a galera das bandas, combino as músicas, fazemos um, dois ou três ensaios e vamos para a gig. Depois do show cada um vai pro seu canto e só se reúne se houver outro show. Gosto mesmo é de tocar ao vivo. Já toquei Rarabichuebas, Motorádio, Rotoruter, Abhorrent, Squema 666 e várias bandas na minha época de UnB.
RB Há uma discussão sobre as bandas covers. Muitos acusam de serem as que provocaram um esvaziamento nos shows de bandas autorais. Como você atua nas duas frentes, seja produzindo ou tocando, gostaria de saber a sua opinião a respeito dessa polêmica?
Fábio Marreco Gosto de boas bandas autorais e cover. Para mim, não importa a categoria, o que importa é a qualidade. Freqüento quase todos os shows da cidade, pois para mim não há melhor lugar pra se tomar uma cerva. Esta é uma velha polêmica, mas acredito que exista lugar para todos, e caso não exista, não tem para ninguém. A culpa da cena atual de Brasília, se é que existe alguma culpa, pois talvez esta palavra não seja adequada, é única e exclusivamente do público, que é muito mal acostumado. Reclamam de tudo e de todos. Músicos, bandas, produtores e locais para eventos sempre figuram em seus comentários peçonhentos. Nada presta e tudo é sempre caro. Você sabe que sempre entro nos shows que vou, para mim não existe este negócio de ficar bebendo do lado de fora. Isto é coisa de muquirana. Não é falta de grana não! É avareza! O mais engraçado é que reclamam que não existe local para show de metal. Eu lhes digo, a tendência é piorar se este comportamento persistir. O empresariado precisa de retorno financeiro para continuar apostando neste gênero musical. Se as pessoas não entram no estabelecimento, não tem como a máquina girar. Eu se fosse dono de bar e o rock não estivesse me dando retorno, mudaria de estilo na hora. Não gostaria de ter prejuízo.
RB Conte um pouco sobre suas bandas, principalmente a nova de thrash, a Red Soil.
Fábio Marreco Redsoil é uma banda de trash old school que formei com o Ricardo Tomaz, que era um dos membros fundadores do Abhorrent. Ele compôs umas músicas e me chamou pra fazer os solos. Estamos gravando as guitarras aqui em casa e em breve mandaremos pra ser comentado no zine Fina Flor, deste entrevistador que nos fala.
RB Conte como surgiu a idéia do Classic Álbuns. Discorra um pouco sobre os eventos que já rolaram com essa insígnia e os que ainda estão por vir.
Fábio Marreco A idéia surgiu como evolução dos shows temáticos que fiz com o Piece of Maiden, em 2005, tocamos o Live After Death do Iron Maiden, em homenagem aos vinte anos do disco, depois fizemos o mesmo com o Somewhere in Time e o Seventh Son of a Seventh Son. Já fizemos duas edições, Reign in Blood do Slayer e Ride the Lightning do Metallica. O próximo será agora dia 21 de novembro com o Khallice tocando o Images and Words do Dream Theater.
RB Voltando a falar de seu filho mais famoso, qual das edições do Marreco’s que deixou mais satisfeito e por quê? E uma que você deve responder todo os anos: qual o perfil uma banda deve ter para integrar o cast do seu festival?
Fábio Marreco A melhor edição sempre é a última, pois realmente o evento só está melhorando e evoluindo. Existem dois perfis apenas, bandas que estão tocando regularmente e bandas que já tocaram e encerraram as atividades. Não importa se é cover ou autoral. Sempre reservo metade das vagas para cada categoria. As cover dão o clima de festa e as autorais mostram o que se está fazendo de criativo em Brasília. Claro, o Marreco’s é um evento direcionado para o metal e seus parentes.
RB Qual o maior sonho do Marreco’s fest? Você comentou alguma coisa sobre a idéia de contratar uma famosa cantora brasileira para uma jam, digamos, um tanto exótica. Pode adiantar algo ou prefere guardar mistério?
Fábio Marreco Vou manter o mistério, pois não está nada certo. Mas tenho certeza que ser rolar, será um show de bom humor e gargalhadas.
RB Lapso de memória. Desculpe-me. Além de músico e produtor, você também é um designer gráfico muito criativo e perfeccionista. Nessa área, gostaria de destacar algum trabalho seu? Como decide a capa e a banda que homenageará com os cartazes do Marreco’s Fest?
Fábio Marreco Fazemos de tudo um pouco né? Tenho esta atividade de programação visual e gráfica há tempos. É uma decorrência da minha profissão de Arquiteto. Sempre gostei de artes gráficas e desenho. Posso dizer que vem desde os meus três anos de idade, quando era criança e sempre desenhava. Quanto às capas do Marreco’s, sempre penso em uma banda grande e na possibilidade de incluir um marreco na arte. O próximo já está pronto, mas é segredo.
RB Como é possuir a sorte de ter uma companheira como a sua, que, além de muito bonita, te dá uma força quase que sobrenatural nas suas produções?
Fábio Marreco A minha Zaninha é uma pérola mesmo. Minha companheirona que sempre me dá uma força em tudo que eu faço. Mas geralmente esta força se reflete em apenas apoio moral. Pois, assim como eu, ela tem seus próprios projetos, nos quais se dedica para que sejam muito bem feitos. Ela fundou uma escola, a Academia de Línguas e Letras, dedicada ao ensino de línguas exóticas como Sueco, Finlandês, Mandarin, Árabe dentre outras; cursos de Português (a língua mais difícil do mundo), redação e preparatório para concursos. A atividade acadêmica requer dedicação e competência. E isto ela tem de sobra. Os cursos são de altíssima qualidade e os professores são verdadeiras sumidades, são doutores, mestres, consultores do Senado e detentores de outros cargos importantes.
RB De suas bandas covers, como define os músicos que tocarão contigo e as músicas que tocarão?
Fábio Marreco Defino sempre pelo critério da amizade e competência. Gosto de tocar com pessoas bacanas e descontraídas. Música pra mim é diversão. Tô fora de cobranças e estresses diversos. A vida já é muito estressante. Música é para tranqüilizar.
RB Obrigado pela atenção. Últimas palavras antes do desfecho de nossa entrevista.
Fábio Marreco Sim, vou tentar ser breve: METAL!
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